terça-feira, 19 de março de 2013


O retorno
O que mudou no trânsito brasileiro entre agosto de 2011 e março de 2013?
Ora, direis, a nova Lei Seca.
Concordo, esta foi uma importante mudança institucional. Sancionada a lei, precisamos avaliar como ela vem sendo “desdobrada” pelo país e acompanhar, via “resultados” estatísticos confiáveis (?) se a sociedade está obtendo os benefícios esperados do novo marco institucional. Mas isto ficará para postagens se seguirão. A fim de manter a visão sistêmica, devo antes tecer alguns comentários sobre a Política Nacional de Trânsito, PNT.
Existe, sim, uma Política Nacional de Trânsito, política, portanto, de governo, liberada em setembro de 2004 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No início de 2011 o “site” do DENATRAN informava que essa PNT estava em revisão, uma nova PNT seria aprovada até julho de 2011. Depois o prazo foi alterado para setembro de 2011. Depois para dezembro de 2001. Depois... Bem, depois a promessa de uma nova PNT desapareceu. Conclui-se inexoravelmente que aquela PNT de 2004 continua sendo a política de trânsito do governo Dilma Rousseff.
Para iniciar nada melhor do que reproduzir alguns trechos da PNT. Começo com um parágrafo da Apresentação assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

Com a participação de toda a sociedade brasileira, com as ações de todos os níveis de governo e pautados nos princípios e valores expressos na POLÍTICA NACIONAL DE TRÂNSITO, esperamos, num horizonte que alcance ainda nossas gerações do presente, fazer de nossas cidades, de nossos logradouros públicos e de nossas estradas um ambiente cada vez melhor de circulação de pessoas e de bens, uma expressão da vida, e não associado ao risco de morte. Assim, poderemos comemorar a realização de nosso sonho, qual seja a de qualidade de vida.”

Está claro que, no papel, a PNT era algo para ser levado a sério em todos os níveis de governo.  Mas não me lembro de, nos anos seguintes de seus governos, o próprio presidente ter demonstrado preocupações com o trânsito.
Agora, um parágrafo da Apresentação do Ministro responsável, Olívio de Oliveira Dutra:

“A Política Nacional de Trânsito manifesta, por meio dos seus objetivos e diretrizes, o anseio de toda a sociedade brasileira na reversão de um quadro alarmante de violência no trânsito, representada por um alto índice de acidentalidade e mortes, especialmente entre a população mais jovem.”

Em 2004 o governo federal reconhecia que vivíamos um quadro alarmante de violência no trânsito. Será que o ministro Dutra e seus sucessores acompanharam a implantação das políticas, diretrizes e objetivos definidos no PNT? Se sim, decorridos quase dez anos, a situação deveria estar bem melhor.  

Agora reproduzo alguns parágrafos da INTRODUÇÃO da PNT:

A segurança no trânsito é um problema atual, sério e mundial, mas absolutamente urgente no Brasil. A cada ano, mais de 33 mil pessoas são mortas e cerca de 400 mil tornam-se feridas ou inválidas em ocorrências de trânsito. Nossos índices de fatalidade na circulação viária são bastante superiores às dos países desenvolvidos e representam uma das principais causas de morte prematura da população economicamente ativa.

As ocorrências trágicas no trânsito, grande parte delas previsíveis e, portanto, evitáveis, consideradas apenas as em áreas urbanas, causam uma perda da ordem de R$ 5,3 bilhões por ano, valor esse que, certamente, inibe o desenvolvimento econômico e social do país.

Desde a promulgação do Código de Trânsito Brasileiro – CTB em 1997, houve um despertar de consciência para a gravidade do problema. No entanto, o estágio dessa conscientização e sua tradução em ações efetivas ainda são extremamente discretos e insuficientes para representar um verdadeiro enfrentamento da questão.


O verdadeiro papel do estado é assumir a liderança de um grande e organizado esforço nacional em favor de um trânsito seguro, mobilizando, coordenando e catalisando as forças de toda a sociedade.

 Pelo que se vê, a PNT parecia ser uma das grandes prioridades políticas do governo federal.

Nota: a PNT está disponível em


 Escrito por Paulo R. Lozano no dia 19 de março de 2013

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